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"O vazio absoluto existe em alguma parte no espaço universal?
Não, nada é vazio. O que imaginais como vazio é ocupado por uma matéria que escapa aos vossos sentidos e aos vossos instrumentos."

(Questão 36 do Livro dos Espíritos)

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Criação do espírito


Por Claudio C. Conti

Em vários pontos dos ensinamentos contidos na Doutrina Espírita, os Espíritos Superiores, responsáveis pelo trabalho da codificação realizada pela pessoa de Allan Kardec, se referem a nossa capacidade de compreensão sobre alguns assuntos com frases do tipo: “porque não falais senão do que conheceis” (O Livro dos Espíritos questão 22), “falta-lhe para isso o sentido” (O Livro dos Espíritos questão 10), “ser incompleta a vossa linguagem” (O Livro dos Espíritos questão 28), etc; significando que muitos conhecimentos ainda estão longe da nossa capacidade de compreensão.

Entre muitos exemplos que se poderia citar sobre a nossa incapacidade de compreensão, devido a nossa situação evolutiva, seria a compreensão da natureza de Deus. A simples tentativa de compreender um ser que seja perfeito, em todas as qualidades possíveis e imagináveis, considerando que ainda não temos a compreensão de qualidades outras, diversas das poucas que conhecemos, já seria um exercício mental estafante, além de nossos limites. No entanto, Kardec, no livro A Gênese, capítulo II item 8, diz que: “Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-Lo, ainda nos falta o sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do Espírito. Mas, se não pode penetrar na essência de Deus, o homem, desde que aceite como premissa a sua existência, pode, pelo raciocínio, chegar a conhecer-lhe os atributos necessários, porquanto, vendo o que ele absolutamente não pode ser, sem deixar de ser Deus, deduz daí o que ele deve ser. “Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação. Esse o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por não se terem reportado a isso, como ao farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões errou em seus dogmas. As que não atribuíram a Deus a onipotência imaginaram muitos deuses; as que não lhe atribuíram soberana bondade fizeram dele um Deus cioso, colérico, parcial e vingativo.”

Este texto não tem a pretensão de esclarecer ou desvendar os ainda mistérios envolvendo a criação dos espíritos, relativa ao nosso estágio inicial no longo processo do caminho à perfeição, mas, apenas expor algumas considerações, tentando, assim, dar alguma forma ao assunto.

Na questão 81 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se os Espíritos são formados espontaneamente ou procedem uns dos outros, e obtém como resposta o seguinte: “Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela Sua vontade. Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério.”

Esta questão foi selecionada por dois motivos. O primeiro é para assegurar ao leitor que temos consciência de que os Espíritos deixam claro que a origem do espírito é um mistério; o segundo motivo é para salientar que, apesar de tudo, podemos ainda formar uma idéia da origem dos espíritos, por mais geral que seja, sabemos que somos criação de Deus. Fica claro que o espírito não surge do nada, não surge espontaneamente, a origem do espírito está atrelada à vontade de alguém ou alguma coisa, isto é, de Deus.

Como o ponto de partida para qualquer estudo relativo ao Espiritismo, recorrendo ao O Livro dos Espíritos, veremos várias citações a respeito da natureza do espírito. Na questão 23 a, Kardec pergunta qual seria a natureza íntima do Espírito, ao que os Espíritos respondem: “Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.”

Nesta questão, os Espíritos responsáveis pela codificação deixam claro que os espíritos são formados por alguma “coisa”, possuem uma constituição sem, todavia, esclarecer sobre a natureza desta “coisa”. Contudo, graças à mente perspicaz de Kardec, durante todo o seu trabalho na Doutrina, manteve-se sempre atento a possíveis lacunas nos ensinamentos. Uma doutrina, seja ela sobre que assunto for, quando é passível de dúvidas e colocações em aberto, não poderia ser considerada como sendo completa e, com isso, daria margens a especulações de toda natureza permitindo, a qualquer um, utilizando má fé, usa-la em seu próprio benefício através de interpretações pessoais.

Encontraremos maiores esclarecimentos na questão 27: Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito? “Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.”

Desta questão é possível tirar algumas informações passíveis de análise. Tentaremos analisa-las da melhor forma que nossa capacidade nos permite.

Primeiramente, como os próprios Espíritos colocam, o fluido cósmico até pode ser considerado como matéria, todavia, é preciso ter em mente que este apresenta características outras que não estão presentes na matéria. É preciso deixar claro que por “matéria” não está apenas sendo considerado a matéria densa que conhecemos mas, também, estados variados do fluido cósmico, com diferentes densidades, apenas excluindo o fluido cósmico na sua forma mais pura, primordial.

Outra afirmação muito interessante e que merece toda a atenção é que “se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse”. O que isto poderia significar? Pode-se chegar a duas conclusões: a) que o espírito é formado por fluido cósmico; b) que o espírito é formado por “algo” similar ao fluido cósmico. Como a existência de duas substâncias, vamos denominar de “substâncias” apenas pela limitação do vocabulário, em nossa visão ainda muito estreita, seria desnecessário e, mesmo que existissem, no nosso ponto de vista, até onde nossa mente pode alcançar, seriam equivalentes e se justaporiam, podemos, assim, considerar apenas uma substância – o fluido cósmico.

Há duas formas de encarar o que foi visto:

1- Se considerarmos o fluido cósmico como matéria, então, o espírito também seria matéria;

2- Se considerarmos o fluido cósmico como não sendo matéria, então, o espírito seria imaterial.

Dois pensamentos muito comuns no meio Espírita é considerar o fluido cósmico como sendo matéria e considerar o espírito como sendo imaterial. Apesar dos Espíritos deixarem bem claro, na questão 82, que “Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.”

Diante do que foi exposto, de acordo com as questões 27 e 82, vemos que uma consideração errônea sobre a natureza tanto do fluido cósmico quanto do espírito, gera uma discordância e, com isso, promove uma dificuldade de entendimento destas questões.

No livro Evolução em Dois Mundos, pg. 21, André Luis apresenta uma definição para o fluido cósmico que torna um pouco mais claro a sua natureza diferente de matéria. Diz que “o fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio.”

Nesta definição, o fluido cósmico é apresentado como algo muito próximo da divindade, estando de alguma forma tão próximo que como que faz parte (quando se refere como “força nervosa”). Nesta condição, podemos entender quando o próprio André Luis, no livro Mecanismos da Mediunidade, pg. 43, diz que “Identificando o Fluido Elementar ou Hálito Divino por base mantenedora de todas as associações da forma nos domínios inumeráveis do Cosmo...” e, na pág. 44, quando diz que “Nos fundamentos da Criação vibra o pensamento imensurável do Criador e sobre esse plasma divino vibra o pensamento mensurável da criatura...”.

Novamente no livro Evolução em Dois Mundos, pg. 21, André Luis diz que “o Espírito Criado pode formar ou co-criar, mas só Deus é o Criador de Toda a Eternidade” referindo-se ao trabalho dos Espíritos superiores, como ele mesmo se refere, “Inteligências Divinas a Ele agregadas”, enfatizando serem Espíritos em tamanho grau de evolução que se encontram em íntima comunhão com o Pai. Estes Espíritos trabalham na construção e manutenção dos corpos celestes do Universo.

Esta construção, como o próprio André Luis se refere, é realizada através da ação dos corpúsculos sob irradiação da mente, ondas eletromagnéticas, agindo nos fluidos de forma a aumentar sua densidade, transformando na matéria por nós conhecida.

Estas massas de matéria, com o tempo, sob a pressão constante a que estão submetidas para se manterem aglutinadas, sofrem, o que, em nossos termos, para os fenômenos conhecidos com a matéria na Terra, chamamos de corrosão por fadiga. Corrosão ocorrida pelo esforço contínuo que certo material estaria sujeito quando se aplica uma tensão constante, este material, com o tempo, sofreria um enfraquecimento de sua estrutura atômica, quando estaria sujeito a partir sob o mínimo esforço.

Os corpos estrelares, da mesma forma, “sofrem o colapso atômico pelo qual se transmutam em astros cadaverizados. Essas esferas mortas, contudo, volvem a novas diretrizes do Agentes Divinos, que dispõem sobre a desintegração dos materiais de superfície, dando ensejo a que os elementos comprimidos se libertem através de explosão ordenada, surgindo novo acervo corpuscular para a reconstrução das moradias celestes, nas quais a obra de Deus se estende e perpetua, em sua glória criativa.” (Evolução em Dois Mundos, pg. 23).

Poder-se-ia dizer, com base em tudo o que foi apresentado que, o Espírito criado é capaz, com o poder mental, apenas de criações temporárias, utilizando o fluido em seus diversos graus de densidade, criações estas cujas dimensões e duração dependerá exclusivamente do seu nível evolutivo, mas Deus, sendo “a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas” (O Livro dos Espíritos, questão 1), é capaz de criar em toda a pujança, obras que transcendem ao tempo, das características materiais do fluido cósmico, é criado o princípio material e das características outras, é criado o princípio inteligente.

Deus, pela sua vontade, é capaz de criar em toda a pujança, obras que transcendem ao tempo, criar Espíritos imortais, seus filhos, obviamente que, a forma como os cria, ainda permanece um mistério...

Referências:

1 - Kardec Allan; “O Livro dos Espíritos”; 76ª edição, FEB, 1995.

2 - Kardec Allan; “A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”; 36ª edição, FEB, 1995.

3 - André Luis; “Evolução em Dois Mundos” (Psicografia de F. C. Xavier.); 15ª edição, FEB, 1997.

4 - André Luis; “Mecanismos da Mediunidade” (Psicografia de F. C. Xavier.); 15ª edição, FEB, 1997.


Fonte:

Revista Internacional de Espiritismo – fevereiro de 2002





1 comentários:

kbrito disse...

Valeu Neilson, belo trabalho de divulgação doutrinária.

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Criação do espírito


Por Claudio C. Conti

Em vários pontos dos ensinamentos contidos na Doutrina Espírita, os Espíritos Superiores, responsáveis pelo trabalho da codificação realizada pela pessoa de Allan Kardec, se referem a nossa capacidade de compreensão sobre alguns assuntos com frases do tipo: “porque não falais senão do que conheceis” (O Livro dos Espíritos questão 22), “falta-lhe para isso o sentido” (O Livro dos Espíritos questão 10), “ser incompleta a vossa linguagem” (O Livro dos Espíritos questão 28), etc; significando que muitos conhecimentos ainda estão longe da nossa capacidade de compreensão.

Entre muitos exemplos que se poderia citar sobre a nossa incapacidade de compreensão, devido a nossa situação evolutiva, seria a compreensão da natureza de Deus. A simples tentativa de compreender um ser que seja perfeito, em todas as qualidades possíveis e imagináveis, considerando que ainda não temos a compreensão de qualidades outras, diversas das poucas que conhecemos, já seria um exercício mental estafante, além de nossos limites. No entanto, Kardec, no livro A Gênese, capítulo II item 8, diz que: “Não é dado ao homem sondar a natureza íntima de Deus. Para compreendê-Lo, ainda nos falta o sentido próprio, que só se adquire por meio da completa depuração do Espírito. Mas, se não pode penetrar na essência de Deus, o homem, desde que aceite como premissa a sua existência, pode, pelo raciocínio, chegar a conhecer-lhe os atributos necessários, porquanto, vendo o que ele absolutamente não pode ser, sem deixar de ser Deus, deduz daí o que ele deve ser. “Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação. Esse o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por não se terem reportado a isso, como ao farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões errou em seus dogmas. As que não atribuíram a Deus a onipotência imaginaram muitos deuses; as que não lhe atribuíram soberana bondade fizeram dele um Deus cioso, colérico, parcial e vingativo.”

Este texto não tem a pretensão de esclarecer ou desvendar os ainda mistérios envolvendo a criação dos espíritos, relativa ao nosso estágio inicial no longo processo do caminho à perfeição, mas, apenas expor algumas considerações, tentando, assim, dar alguma forma ao assunto.

Na questão 81 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta se os Espíritos são formados espontaneamente ou procedem uns dos outros, e obtém como resposta o seguinte: “Deus os cria, como a todas as outras criaturas, pela Sua vontade. Mas, repito ainda uma vez, a origem deles é mistério.”

Esta questão foi selecionada por dois motivos. O primeiro é para assegurar ao leitor que temos consciência de que os Espíritos deixam claro que a origem do espírito é um mistério; o segundo motivo é para salientar que, apesar de tudo, podemos ainda formar uma idéia da origem dos espíritos, por mais geral que seja, sabemos que somos criação de Deus. Fica claro que o espírito não surge do nada, não surge espontaneamente, a origem do espírito está atrelada à vontade de alguém ou alguma coisa, isto é, de Deus.

Como o ponto de partida para qualquer estudo relativo ao Espiritismo, recorrendo ao O Livro dos Espíritos, veremos várias citações a respeito da natureza do espírito. Na questão 23 a, Kardec pergunta qual seria a natureza íntima do Espírito, ao que os Espíritos respondem: “Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa. Ficai sabendo: coisa nenhuma é o nada e o nada não existe.”

Nesta questão, os Espíritos responsáveis pela codificação deixam claro que os espíritos são formados por alguma “coisa”, possuem uma constituição sem, todavia, esclarecer sobre a natureza desta “coisa”. Contudo, graças à mente perspicaz de Kardec, durante todo o seu trabalho na Doutrina, manteve-se sempre atento a possíveis lacunas nos ensinamentos. Uma doutrina, seja ela sobre que assunto for, quando é passível de dúvidas e colocações em aberto, não poderia ser considerada como sendo completa e, com isso, daria margens a especulações de toda natureza permitindo, a qualquer um, utilizando má fé, usa-la em seu próprio benefício através de interpretações pessoais.

Encontraremos maiores esclarecimentos na questão 27: Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito? “Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita, por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria, e suscetível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.”

Desta questão é possível tirar algumas informações passíveis de análise. Tentaremos analisa-las da melhor forma que nossa capacidade nos permite.

Primeiramente, como os próprios Espíritos colocam, o fluido cósmico até pode ser considerado como matéria, todavia, é preciso ter em mente que este apresenta características outras que não estão presentes na matéria. É preciso deixar claro que por “matéria” não está apenas sendo considerado a matéria densa que conhecemos mas, também, estados variados do fluido cósmico, com diferentes densidades, apenas excluindo o fluido cósmico na sua forma mais pura, primordial.

Outra afirmação muito interessante e que merece toda a atenção é que “se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse”. O que isto poderia significar? Pode-se chegar a duas conclusões: a) que o espírito é formado por fluido cósmico; b) que o espírito é formado por “algo” similar ao fluido cósmico. Como a existência de duas substâncias, vamos denominar de “substâncias” apenas pela limitação do vocabulário, em nossa visão ainda muito estreita, seria desnecessário e, mesmo que existissem, no nosso ponto de vista, até onde nossa mente pode alcançar, seriam equivalentes e se justaporiam, podemos, assim, considerar apenas uma substância – o fluido cósmico.

Há duas formas de encarar o que foi visto:

1- Se considerarmos o fluido cósmico como matéria, então, o espírito também seria matéria;

2- Se considerarmos o fluido cósmico como não sendo matéria, então, o espírito seria imaterial.

Dois pensamentos muito comuns no meio Espírita é considerar o fluido cósmico como sendo matéria e considerar o espírito como sendo imaterial. Apesar dos Espíritos deixarem bem claro, na questão 82, que “Imaterial não é bem o termo; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito há de ser alguma coisa. É a matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos.”

Diante do que foi exposto, de acordo com as questões 27 e 82, vemos que uma consideração errônea sobre a natureza tanto do fluido cósmico quanto do espírito, gera uma discordância e, com isso, promove uma dificuldade de entendimento destas questões.

No livro Evolução em Dois Mundos, pg. 21, André Luis apresenta uma definição para o fluido cósmico que torna um pouco mais claro a sua natureza diferente de matéria. Diz que “o fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio.”

Nesta definição, o fluido cósmico é apresentado como algo muito próximo da divindade, estando de alguma forma tão próximo que como que faz parte (quando se refere como “força nervosa”). Nesta condição, podemos entender quando o próprio André Luis, no livro Mecanismos da Mediunidade, pg. 43, diz que “Identificando o Fluido Elementar ou Hálito Divino por base mantenedora de todas as associações da forma nos domínios inumeráveis do Cosmo...” e, na pág. 44, quando diz que “Nos fundamentos da Criação vibra o pensamento imensurável do Criador e sobre esse plasma divino vibra o pensamento mensurável da criatura...”.

Novamente no livro Evolução em Dois Mundos, pg. 21, André Luis diz que “o Espírito Criado pode formar ou co-criar, mas só Deus é o Criador de Toda a Eternidade” referindo-se ao trabalho dos Espíritos superiores, como ele mesmo se refere, “Inteligências Divinas a Ele agregadas”, enfatizando serem Espíritos em tamanho grau de evolução que se encontram em íntima comunhão com o Pai. Estes Espíritos trabalham na construção e manutenção dos corpos celestes do Universo.

Esta construção, como o próprio André Luis se refere, é realizada através da ação dos corpúsculos sob irradiação da mente, ondas eletromagnéticas, agindo nos fluidos de forma a aumentar sua densidade, transformando na matéria por nós conhecida.

Estas massas de matéria, com o tempo, sob a pressão constante a que estão submetidas para se manterem aglutinadas, sofrem, o que, em nossos termos, para os fenômenos conhecidos com a matéria na Terra, chamamos de corrosão por fadiga. Corrosão ocorrida pelo esforço contínuo que certo material estaria sujeito quando se aplica uma tensão constante, este material, com o tempo, sofreria um enfraquecimento de sua estrutura atômica, quando estaria sujeito a partir sob o mínimo esforço.

Os corpos estrelares, da mesma forma, “sofrem o colapso atômico pelo qual se transmutam em astros cadaverizados. Essas esferas mortas, contudo, volvem a novas diretrizes do Agentes Divinos, que dispõem sobre a desintegração dos materiais de superfície, dando ensejo a que os elementos comprimidos se libertem através de explosão ordenada, surgindo novo acervo corpuscular para a reconstrução das moradias celestes, nas quais a obra de Deus se estende e perpetua, em sua glória criativa.” (Evolução em Dois Mundos, pg. 23).

Poder-se-ia dizer, com base em tudo o que foi apresentado que, o Espírito criado é capaz, com o poder mental, apenas de criações temporárias, utilizando o fluido em seus diversos graus de densidade, criações estas cujas dimensões e duração dependerá exclusivamente do seu nível evolutivo, mas Deus, sendo “a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas” (O Livro dos Espíritos, questão 1), é capaz de criar em toda a pujança, obras que transcendem ao tempo, das características materiais do fluido cósmico, é criado o princípio material e das características outras, é criado o princípio inteligente.

Deus, pela sua vontade, é capaz de criar em toda a pujança, obras que transcendem ao tempo, criar Espíritos imortais, seus filhos, obviamente que, a forma como os cria, ainda permanece um mistério...

Referências:

1 - Kardec Allan; “O Livro dos Espíritos”; 76ª edição, FEB, 1995.

2 - Kardec Allan; “A Gênese – Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo”; 36ª edição, FEB, 1995.

3 - André Luis; “Evolução em Dois Mundos” (Psicografia de F. C. Xavier.); 15ª edição, FEB, 1997.

4 - André Luis; “Mecanismos da Mediunidade” (Psicografia de F. C. Xavier.); 15ª edição, FEB, 1997.


Fonte:

Revista Internacional de Espiritismo – fevereiro de 2002





Um comentário:

  1. Valeu Neilson, belo trabalho de divulgação doutrinária.

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